China

Chegando na China

(31.05.2007) Chegou a hora de ir pra China, esse pais cheio dos mistérios milenares. Eu estava com um pouco de receio, afinal a China ainda é o gigante comunista controlado pelos militares.

Por motivos de simplicidade resolvi pegar o busão de Hanói para Nanning e de lá um trem noturno para Kunming. O começo da viagem foi super tranquilo, até a chegada da borda. A saída do Vietnam foi relativamente fácil, apesar do mega tumulto, o pessoal não conhece muito bem o conceito de fila, vai todo mundo junto, um empurrando o outro e tentando passar na frente. Ao entrar na China que começou o stress. Mostrei meu passaporte brasileiro e os soldados já olharam com ar estranho para ele, logo alegaram que era falso, praticamente congelei. Mantendo a calma tentei explicar para eles que o passaporte brasileiro é assim mesmo, um monte de papel verde. Durante essa argumentação pelo menos uns 15 soldados Chineses olharam o meu passaporte e continuaram alegando que ele era falso, o motivo: esse passaporte é muito simples, não é digital, não tem nada de segurança nele, inacreditável. Após discutir por umas 3h pra lá e pra cá e depois de eu mostrar meu passaporte alemão eles passaram a acreditar que eu sou eu mesmo e me deixaram entrar.

Cheguei bem em Nanning, como também tinha um grupo de europeus no busão nos nós juntamos e fomos pra estação de trem, afinal ninguém sabia nada de chinês. Cada um estava com um destino diferente, neste momento eu estava indo rumo a Youjiang por indicações que recebi ainda no Vietnam. Na estação um mega-tumulto, mais uma vez ninguém respeitando filas, e para piorar, ninguém fala inglês. Não estávamos acreditando nisso, como pode numa cidade gigante ninguém falar inglês na estação principal de trens? Por sorte um velhinho Japonês sabia inglês e um pouco de chinês e nos ajudou a comprar as passagens. La pras 21h entrei no trem rumo a Kunming, a cama do trem é super pequena, mal consegui deitar nela, ainda bem que não sou muito grande.

(01.06.2007) Cheguei por volta das 9 da manha em Kunming, continua o problema de ninguém falar inglês. Após perguntar N pessoas achei uma que sabia um pouquinho e me ajudou a chegar ao albergue. Era dia de detalhar um pouco mais meu plano para viajar pela própria China. Após almoçar fiquei de bobeira no albergue, jogando um pouco de sinuca, com isso começou a mudar todo meu plano.

Conheci um americano que também estava no albergue, resumidamente, ele era professor de Kung Fu nos EUA e veio para a China para se aperfeiçoar. Após passar por vários lugares, inclusive o templo dos Shaolin, ele ainda não estava muito satisfeito com sua busca, consultando-se com um dos mestres do Shaolin ele recebei a dica de ir para o Wu Wei, e foi isso que ele fez. Chegando lá ele ficou encantado, encontrou o que estava procurando, os antigos monges Budistas do Kung Fu. Ele acabou ficando 4 meses treinando com eles e neste instante estava ilegal na China, tentando chegar no consulado americano em Shanghai. Fiquei encantado com essa história, e logo mudei todos os meus planos, resolvi que queria conhecer Wu Wei, esse lugar mágico dos monges Budistas do Kung Fu. Após pegar as dicas principais com ele, organizei minha ida pra Dali e também já comprei minha passagem para de lá ir pra Shanghai depois. Fiquei cheio de vontade de chegar logo em Wu Wei.

(02.06.2007) Continuando minha viagem fui pra Dali de busão de novo. No meio do caminho paramos pra almoçar. Não tinha opção, ou comia o que tinha ou não comia. Eu mandei ver no bandeijão, não era dos melhores, nem dos mais limpos, mas a comida estava boa. Depois ainda comprei umas frutas pra comer durante o restante da viagem. Ao chegar em Dali descobri que na verdade eu queria ir pra Old Dali, como europeu eu tinha concluído que Old Dali era a parte antiga da cidade de Dali, o que estava errado. Logo voltei ao problema do inglês, ninguém entendi pra onde eu queria ir, nem os taxistas, depois de andar muito achei um shoppingzinho, entre em pelo menos umas 20 lojas perguntando se alguém sabia inglês, eu já estava quase desistindo quando numa loja de celular uma das meninas arranhava um pouco. Ela me explicou que Old Dali era outra cidade, por sorte não muito longe dali, pedi a ela, e ela explicou a um taxista para onde ele deveria me levar.

Chegando em Old Dali você logo vê um murro gigante envolvendo toda a cidade, como se fosse uma fortaleza, que por sinal é muito bonita. Ela tem basicamente 2 ruas principais se cruzando e uma infinidade de lojas em cada uma delas. Após caminhar um pouco achei um albergue maneiro, Old Dali Inn, e a diária tinha um preço ótimo, 20 Yuan (2,7 USD). Passeei bastante por toda a cidade, tirando muitas fotos. Como o lugar é muito turístico todo mundo falava inglês, parecia que eu estava em outro mundo. Ainda fechei com um taxi de me pegar amanha cedo e me deixar na estrada na entrada da trilha para Wu Wei.

Wu Wei

(03.06.2007) A viagem ruma a Wu Wei começou de manha cedo, o meu taxi me pegou no albergue e em menos de meia hora estávamos na estrada na entrada para a trilha que leva a Wu Wei. O americano me tinha falado que seriam uns 40 min a pé, me programei de ir cedo, porque caso não me aceitassem no Templo eu teria tempo de voltar e dar um jeito de voltar até Old Dali. Iniciei a minha caminhada, após aproximadamente uma hora cheguei num portal gigante e achei que estava praticamente no Templo, continuei na trilha, e nada do Templo aparecer, cheguei até a cogitar que eu tinha pego um caminho errado. Depois de mais uma meia hora no meio da floresta com mochila e água eu já estava exausto, da para entender porque os monges praticamente não tem nada :))). Finalmente cheguei. Fiquei maravilhado com as estatuas gigantes na entrada do Templo, um símbolo de proteção. Fui timidamente entrando, e antes de poder conversar sobre a minha estadia lá me convidaram pra almoçar com eles, já que estava na hora do almoço. A comida, apesar de ser muito simples, estava muito boa. O arroz foi a base da refeição, e os acompanhamentos foram várias plantas verdes e vermelhas diferentes e tinha umas cebolas fritas, o sabor era nota 10, e ainda rolou uma sobremesa feita de mel com gergelim.

Após comida conversei com o mestre do Templo através de um dos discípulos que aprendeu um pouco de inglês com o tal americano. Inicialmente ele não queria me deixar ficar já que ficaria somente 4 dias e não seria o suficiente para aprender a 1ª kata do Kung Fu, tive que me comprometer que só iria embora depois de aprender essa 1ª kata.

Depois me indicaram meu quarto e os horários de treinamento. Também explicaram que o treinamento de Tai Chi e Kung Fu são obrigatórios senão não poderia ficar no Templo. Para mim isso estava show, estava adorando. As 14h começou o 1º treinamento, uma dos monges adolescente ficou responsável por me ensinar o básico. O treino começou com um super alongamento, coisa de filme, força máxima para alongar o máximo, achei q iria quebrar todos os meus ligamentos e articulações. Depois mais 2h de treino e combate entre os alunos. Ao final eu estava morto, fiquei pensando se sobreviveria o outro dia. Fiquei maravilhado como as crianças são super dedicadas e treinam que nem os adultos daqui. Não deu nem muito tempo de pensar no cansaço porque já era hora do jantar. A comida era praticamente a mesma do almoço, mas tudo fresquinho e muito bom. Após o jantar teve uns cantos de mantras dentro do Templo, mas não me deixaram participar já que eu não tinha os conhecimentos budistas, fiquei escutando do lado de fora, todo curioso. Ainda fui tentar aprender um pouco de Chinês, pelo menos já sei contar de 1 a 10. Aqui não tem luz elétrica, com isso ta na hora de dormir quando escurece. Caí morto na cama.

(04.06.2007) O dia começou bem cedo, as 5:30 da manha os monges começam a cantar os mantras de abertura do tempo, ao completar esse ritural começou o dia para mim com uma corrida matinal até as cachoeiras (30min) lá continua com um treino de força, que se baseia em jogar pedras pesadas nas correntezas e ficar pulando nas pedras pra treinar o equilíbrio. Por volta de 7:30h voltamos para o Templo carregando pedras nas cabeças, inacreditável como as crianças carregam pedras pesadas, a força que elas tem me deixou boquiaberto. As 8h horas café da manha, tudo natural, uma pão recheado com verduras e um pão doce recheado com gergelim e mel, muito bom. Logo em seguida continua o treino com um pesado alongamento e depois com as técnicas básicas de Kung Fu. A ultima hora de treino da manha se baseia em sequências de golpes, os katas. Chegou meio-dia e eu já estava completamente morto de tanto treino, ainda bem quer chegou a hora do almoço, mais uma vez tudo natural e muito bom. Ainda bem que rola um descanso até as 14h quando o treino continua, repetindo basicamente a sequência da manha. As 18h jantar, não estava vendo a hora porque eu já estava super acabado, não conseguia mais me mexer. Depois do jantar eles voltam a ter um culto no Templo cantando mantras por mais 1 hora, eu fiquei lendo um pouco. Quando eles terminaram entrei no Templo pra meditar durante uns 30min. Depois escureceu e eu caí novamente morto na cama. Independente desse cansaço todo, eu estava amando essa experiência.

(05.06.2007) O roteiro do dia foi praticamente o mesmo que do dia anterior, muito treino. Eu aproveitei o intervalo após o almoço para caminhar na cachoeira e dar um mergulho gostoso, a água estava super gelada, mas foi show. A noite depois do jantar, como eu ficava sempre de curioso na porta do Templo na hora do mantras, os monges me convidaram para participar do ritual de fechamento do tempo, me indicaram que eu deveria fazer tudo iqual a um dos discípulos, uma criança de 4 anos, tinha algo especial ali para mim, principalmente porque esse mongezinho é o escolhido para ser o próximo mestre do tempo. Essa experiência foi impar, super emocionante. Muita energia positiva!!! Amei.

(06.06.2007) De manha, a última corrida pra cachoeira. Depois do café da manha, demonstrei o 1º kata para o mestre do tempo, agradeci profundamente a todos eles e desci para Old Dali. De lá peguei o busão de volta pra Kunming para pegar o avião para Shanghai amanha. Entrando de volta para o mundo. O final da tarde passei trabalhando pra colocar as coisas em dia.



Shanghai

(07.06.2007) Viagem pra Shanghai. Peguei o avião e fiquei espantado com a falta de educação dos Chineses. Na hora de embarcar ao invés de se formar uma fila como se encontra normalmente, todos tentaram ser o 1º a passar pelo controle, um empurra empurra inacreditável. Simplesmente dei uns passos para trás e esperei todos passaram e entrei no avião na maior calma, coisa que não faz sentido. Ao chegar em Shanghai a mesma coisa, todo mundo querendo ser o 1º a pegar o Táxi, resolvi novamente dar uns passos para trás, tomei uma coca e depois eu fui procurar chegar na cidade. Como tudo estava calmo essa hora foi fácil achar as informações e peguei um busão com destino ao metro. O busão parou no Templo Jing’an e resolvi descer logo pra conhecê-lo, meu lado turista falou mais alto. Após passear pelo Templo peguei o metro para o Albergue. Passeei um pouco por volta do albergue ainda, mas não tem muita coisa pra ser vista.

(08.06.2007) Dia de conhecer um pouco de Shanghai. Após um bom café da manha peguei o metro em direção a People’s Square. Um complexo de vários shopping centers gigantes. Caminhei até o rio, esse pedaço se chama “The Bund”, com várias estatuas de Mao Tse Tung. Do outro lado do rio ficam os 2 prédios mais altos da cidade, o Pearl Tower e o Jin Mão Tower. No topo dos 89 andares se encontra o bar Cloud 9. Pretendo ir um dos dias pra ver o por do sol de lá. A noite tomei algumas cervejas com a galera do albergue.

(09.06.2007) Não fiz muita coisa, fiquei o dia no albergue trabalhando um pouco. Pratiquei um pouco de Yoga no final do dia no topo do albergue. A noite saí para jantar no Cloud 9, o restaurante super chique e de lá da para ver toda a cidade. Depois ainda andei um pouco pelo quarteirão dos bares e restaurantes.

(10.06.2007) Fui conhecer um pouco mais da cidade. Procurei no mapa e escolhi ir pro Zhongshan Park. Planejei de chegar lá e praticar um pouco de Yoga, ao chegar me deparei que o lugar que deveria ter um parque tem um mega shopping center, estranho que no mapa a área está toda verde. Andei um pouco por lá, passeei um pouco pelas lojas e almocei por lá, depois voltei pro albergue. Shanghai não me impressionou muito não, uma cidade gigante igual a qualquer outra no mundo.



Beijing

(11.06.2007) Viagem para Beijing. Mesma coisa da viagem para Shanghai, aeroporto lotado, muito tumulto, fiquei um pouco estressado com isso, e deu uma vontade de já partir da China, mas tinha que conhecer Beijing e principalmente a Muralha.

(12.06.2007) De manha assim que acordei fui procurar ver se conseguisse a permissão de entrada para o Tibet. Um monte de gente me deu informação a respeito, mas em nenhum dos lugares eu consegui, eles simplesmente alegam que mês passado o governo Chinês teve um conflito com as autoridades locais do Tibet e com isso fecharam a fronteira para os turistas, fiquei super chateado, afinal o Tibet era um dos lugares que eu mais queria conhecer na minha viagem. Chegou uma hora que desisti e resolvi procurar meu ticket direto para a Índia, nessa busca voltei a ter o problema de vários preços diferentes, eu estava de saco cheio da China. Resolvi dar um tempo e fazer meu passeio turístico para a “Cidade Proibida”. Entrei em 3 taxis, mas nenhum deles consegui me levar para lá porque não conseguiam entender inglês, isso sempre é um problema aqui na China, mas por ignorância minha achei que pelo menos “Forbitten City” todo mundo iria saber, ainda mais em Beijing. Não quero nem imaginar como isso vai funcionar nos jogos olímpicos do ano que vem. Fui a pé mesmo para a “Cidade Proibida”, chegando lá fiquei espantado com o tamanho dela, nunca imaginei que seria tão gigante. Você passa de um Templo para o outro e parece nunca ter fim, mesmo boa parte ser fechada para o turismo. Finalmente um passeio que valeu a pena :) O que não foi tão bom foi a poluição, o ar em Beijing é muito ruim, de tanta poluição em pleno meio dia não da para ver as coisas direito, é possível olhar direto para o sol e mesmo não tendo nuvem nenhuma no céu ele parecia uma lâmpada acessa acima de você. Voltei exausto para o albergue no final do dia.

(13.06.2007) Acordei cedo para pegar o passeio para a “Muralha da China”, uma van lotada de turistas. No caminho paramos no Ming Tomb, o local onte tem um portal que dizem que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, bem interessante. O guia turístico contou toda a história da China e mais um pouco, chegou a ser chato de tanto ele falar, mas faz parte do passeio. Ainda paramos em algumas fábricas de “Jade”, e finalmente chegamos a “Muralha”, realmente impressionante. Eu e um outro casal subimos até o topo e descemos do outro lado, uma caminhada pesada de 2h. Na volta ainda paramos num lugar para experimentar os diversos chás que a China tem. Ao chegar no albergue ainda trabalhei bastante, colocando tudo em dia.

(14.06.2007) Após o passeio de ontem eu estava inspirado em conhecer um pouco mais da cidade resolvi ir caminhando até o Temple of Heaven achando que era perto do Hotel. No meio do caminho me dei conta que não era tão perto assim, e o calor estava infernal, essa hora já tinha tomado uns 2L de água na rua, mas continuei caminhando. O Templo fica dentro de um jardim gigante, milhões de Chineses mais idosos se encontram neste jardim, alguns de bobeira, outros jogando cartas, outros cantando mantras, e assim por diante. Perto de um dos monumentos fiquei fazendo uns exercícios de Yoga, e logo alguns curiosos param pra ficar olhando. Recomendo uma visita a este Templo para quem vem a Beijing. Na volta resolvi me arriscar e pegar um busu, mas isso é super complicado porque tudo está escrito somente nos símbolos Chineses, logo eu não sabia para onde iam. Entrei em qualquer um que estava indo na direção do hotel, assim que ele dobrou na direção errada desci e completei o restante a pé, foi mo adianto.

(15.06.2007) Último dia da China. Acordei com preguiça de manha e resolvi ficar no hotel trabalhando um pouco. De tarde me empolguei e queria ir conhecer o Summer Palace, aí descobri que se demora por volta de 1,5h para chegar lá e eu chegaria lá na hora de fechar. Mudei os planos e fui conhecer o Lama Temple. O Templo é fantástico, muito bonito, pena que é proibido tirar fotos dentro dos ambientes, existem muitas estátuas maravilhosas de Buddha e de cada um dos signos do horóscopo Chinês. Mesmo proibido me arrisquei e consegui uma ou outra foto razoável. Na volta resolvi me arriscar e ir de metro, foi super tranquilo, o difícil foi saber em que estação eu deveria descer, mas com um pouco de malandragem eu consegui chegar bem perto do meu albergue. Agora só falta fazer o mochilão para fazer a próxima viagem espaço e tempo e entrar na mística Índia com seus encantos e seus histórias mágicas.



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